Sobre black bloc e beagles: uma agenda petista

Imagem O mês de outubro esteve cheio de assuntos políticos, e sobre alguns deles quero comentar neste post. Embora sejam fatos diferentes entre si, estão muito bem articulados: falo  do caso dos beagles, a popularidade Dilma e reaparecimento de Lula

Começo com os casos de quebra-quebra e os chamados Black Blocs. Esse grupo de manifestante apareceu de forma sistemática a partir das manifestações do passe-livre em São Paulo, como uma espécie de tropa de ataque reativo contra a ação da polícia paulista, para depois ser imitado em manifestações pelo Brasil. Composto por jovens mascarados e violentos, o grupo é contra a ordem vigente, odeia o capitalismo e promove dano material  naquilo que supostamente o simboliza ou o expressa: bancos, revendas de carros, grandes lojas e instituições públicas. Suas ações são marcadas por fúria e violência; nas manifestações assim como chega desaparece, sem que seus membros possam ser identificados. São hábeis em se proteger para preparar novos confrontos.

Embora recente no Brasil, inspirado nas manifestações de 68, o nome do grupo apareceu na Alemanha por volta do início dos anos 80, e desde então seus membros estiveram presentes em manifestação pelo mundo. Ideologicamente confuso, o Black Bloc equivale às utopias anarquistas do séc. XIX, com elementos do ludismo e do bakuninista, porém misturadas à desordem mental da maioria da juventude de hoje, vítima contumaz de décadas de sócioconstrutivismo.

O que está claro é que suas as ações são capitaneadas por outros grupos, também radicais, ideologicamente mais bem constituídos, daí a relação que falei no início. Os trotskistas são os mais próximos deles, por ainda sonharem com a revolução permanente. Abrigados em vários partidos, como PSOL, PSTU e PCO, estes são profissionais em manifestação. Outros relacionados são extremistas do PT, geralmente ligados a movimentos sociais, como o Movimento Passe-Livre. Mas, o mais importante da relação é o PT enquanto partido, que vê nesse grupo um instrumento de seu objetivo absoluto: a permanência no poder para implantar sua revolução aos poucos. Por isso, como um Grande Irmão , zela por todos eles. Tanto é verdade que hoje (01\11) está no Uol Notícias, a seguinte informação: “Movidos a pesquisas e intuição, Dilma Rousseff e os operadores de sua pré-campanha enxergaram uma oportunidade eleitoral na crescente aversão dos brasileiros à violência de rosto coberto que tomou conta das manifestações de rua, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro”. Como se pode ver, todos têm aproveitado o ímpeto destrutivo dos Black Blocs a seu favor

Resumindo, o jovem Black Bloc é invariavelmente frustrado, em conflito com o mundo e consigo mesmo, sem identidade e desprovidos de um mínimo de conhecimento escolar. Por não poder expressar ideias coerentes tem o mundo como inimigo, quer destruí-lo com temor de se destruir com um tiro na cabeça. Incapacitado para qualquer ontologia, ele existe como um ninguém. Quando usa máscaras é pensando poder ser alguém.

São tão manipulados que, depois do entusiasmo do movimento Passe-livre espalhar-se pelo Brasil, tudo voltou ao normal: Haddad tirou os centavos do valor da passagem de ônibus, mas aumentou o IPTU sem qualquer manifestação Black Bloc. Tudo normal. No julgamento dos embargos infringentes o judiciário aliviou a pena aos mensaleiros, sem qualquer manifestação Black Bloc. Tudo normal. Com a popularidade subindo, Dilma aproveitou o bom momento para leiloar o campo de Libra diante de manifestações amenas e controláveis de meia dúzia de petroleiros. Até o Lula apareceu recebendo comendas e sendo acariciado em programas de TV, jurando que o bolsa-família é um presente dos céus aos miseráveis, responsável por elevar o Brasil à condição de país que mais distribui renda no mundo. Hilário, mas ele pensa assim e tudo sem um único Block Bloc.

Sem horizonte político definido, os Black Blocs são idiotas uteis que servem aos propósitos da esquerda petista justamente por atacarem instituições que o PT, em seu projeto de poder, quer destruir. Curioso perceber a simetria entre o ódio dos Black Blocs e o ódio que o PT manifesta às instituições. Odeiam as mesmas coisas: o capitalismo, o livre mercado, a liberdade, a propriedade privada, a religião, a família e, principalmente, a educação cognitiva (os dois fugiram da escola, como é sabido). É evidente que  PT alimenta e se alimenta das ações dos Black Blocs (leia a notícia citada acima). No fim todos levam, graças a essa turba ímpia, seu quinhão político, até o Alckmin elva a parte que lhe cabe (leia aqui).

Sobre os beagles e a relação com tudo o que foi dito? Bom, não vale a pena gastar muitas letras com isso, pois  quando se põe a utopia privada á frente dos interesses de uma humanidade inteira, fica difícil argumentar. Ficou evidente que os salvadores dos beagles, tal como os black Blocs, também são cheios de ódio. Odeiam as instituições científicas e suas pesquisas não se importando se elas salvam vidas. Odeiam o consumo de carne, mas esquecem de que a carne de gado que consumimos é de um animal que não compete com o ser homem na alimentação, simplesmente porque comem mato. Sobra, portanto, mais soja, mais milho, que podem alimentar muita gente. Odeiam a inteligência por não entenderem que sem pesquisa em animais não haverá remédios contra doenças mortíferas. Mas estes, como Luisa Mell, são também Black Blocs, só que mais chics, mais glamourosos. Constituem o que Reinaldo Azevedo chama de esquerda caviar. Em vez de esconder o rosto querem mostra-lo, para ganhar minutos de fama. A mídia aparelhada pelo PT adora. Aliás falarei sobre isso em outro post.

Carlos Borges

(Antropólogo e professor)

Advertisements


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s