Cotas, racismo e a destruição do Brasil

SISTEMA COTASA entrevista com Kabengele Munanga revela uma realidade indiscutível: o sistema de cotas na educação é necessário para corrigir uma desigualdade racista. Tudo bem. Disse tudo. Porém, tem-se que pensar na seguinte situação: os mestiços são igualmente preteridos na distribuição de renda no Brasil: são os mais pobres, os analfabetos e a maioria dos desempregados. Em termos da qualificação profissional, pouquíssimos são médicos, advogados ou engenheiros. Mas são licenciados, pedagogos, historiadores, assistentes sociais,  principalmente oriundos dos cursos de ciências humanas e sociais, geralmente considerados mais fáceis nos exames de ingresso. A razão óbvia está na qualidade da educação ofertada nas escolas públicas de ensino médio, geralmente são as que fornecem quadros para os cursos de licenciatura, por exemplo. As privadas, somadas aos caros cursinhos, garantem, por sua vez, os candidatos para os cursos das profissões mais bem remuneradas. Essa distorção pode, sem dúvida, ser corrigida por um sistema de cotas com duração de duas ou três décadas, por exemplo. O que não pode é o sistema tornar-se uma lei ad infinitum em função do risco de se transformar numa medida tão injusta como a injustiça que tentou corrigir. Então, qual o tipo de cota queremos, que não seja revanchista ou coletivista? Não seria melhor  evitar sistemas de cotas?

Países que  a adotaram, como a Índia (desde a Constituição de 1949) fizeram-no para corrigir distorções muito claras. Na índia somente 1% de Dalits, considerados intocáveis, tinha curso superior, percentual que os excluía dos serviços públicos e estatais. As castas estão constitucionalmente abolidas na índia desde a década de 50, porém permanecem ativas no imaginário do país, o que faz do sistema de cotas adotado um modelo que não poderá ser abolido tão cedo. Na Nigéria o sistema foi formatado visando a inclusão social. A finalidade é alcançar regiões inóspitas no país  (veja aqui), característica que o torna distinto daquele adotado no Brasil, por exemplo.

O que foi posto em prática na África do Sul, por sua vez é um exemplo de que em países com distorções educacionais dadas pelo recorte étnico, o sistema não pode ser permanente por geral uma inversão desse recorte. Na década de 80, em pleno apartheid, decorrente das pressões populares sobre esse racismo de Estado, o sistema de cotas foi aprimorado no país para incorporar, além de negros, os mestiços e indianos. Com fim do apartheid, o sistema foi expandido para incorporar a população negra, fundamentalmente, nas atividades antes a ela obstada, como as áreas de alta tecnologia, medicina, serviços veterinários, área jurídica, odontologia e arquitetura. Esse modelo de cotas, aplicado largamente num país que respeita a autonomia universitária, foi iniciado na University of Cape Town, onde nos cursos de medicina, por exemplo, as notas exigidas dos brancos, 92, se contrastam com as exigidas dos negros, 62. Depois de anos de implantação, o  sistema começou a gerar contradições, em que as oportunidades são largamente obstadas à população branca e mestiças em favor da população negra (fonte aqui e aqui). Na Malásia, país de altíssima complexidade étnica, o sistema começou a viger em 1973 para ser abolido em 2002, depois de intensos conflitos étnicos (fonte aqui).

Nos Estado Unidos os sistemas de cotas raciais adotados em escolas foram abolidos, definitivamente, em junho de 2007, quando a Suprema Corte entendeu que a raça de uma criança não seria utilizada para determinar onde ela deveria estudar. Existem outros sistemas de cotas pelo mundo, como o do Canadá para os esquimó, o da Bélgica para imigrantes e de países como Bolívia e Equador que possuem projetos para ingressos diferenciados dirigidos à população indígena (O Estado de Roraima já possui um sistema assim funcionando na UFRR, chamado Insikiran).

Bem, e aqui neste Brasil? No sistema de cotas aqui adotado utiliza-se, como lembra Kabengele Munanga, o critério étnico-racial combinado com o critério econômico. Significa que um pardo (ou negro) de classe média, por exemplo, não poderá requerer ingresso pelo sistema de cotas, tornando-o  parecido com o sistema de cota social. Mas como um branco pobre jamais poderá acessar o sistema, mesmo que comprove ter estudado em escola pública, ele não é, todavia, social. Portanto, não é híbrido, ou étnico-racial, mas sim inteiramente étnico. É um sistema confuso para os mestiços e para os brancos pobres.

Por isso, a  dificuldade de Kabengele Munanga em entender esta confusão, pois o sistema de cotas é tão racista como o racismo que ele quer combater. É racista, sobretudo, por ser fortemente uma ação de Estado que visa a desmestiçagem. Talvez o fato deste referido antropólogo ter-se baseado no recorte étnico para explicar a correlação das classes sociais no Brasil, ideias estas defendidas por dois iminentes intelectuais marxistas, Florestan Fernandes e Octávio Ianni,  seus mentores como ele afirma, não lhe tenha feito perceber que séculos de implantação da assimilação e mestiçagem de brancos, negros e índios no Brasil não se resume simplesmente em questão de classe. O projeto desta mestiçagem começou com o início da história colonial do Brasil, ou até antes na cultura portuguesa, como explicado por Gilberto Freyre, em Casa Grande & Senzala (Global, 2003). A mestiçagem foi tão bem pontuada por esse autor, que suas ideias foram consideradas uma espécie de estética da mestiçagem por ninguém menos que Lilia Moritz Schwarcz, antropóloga  ligada à Companhia das Letras e queridinha do establishment acadêmico uspiano (leia o artigo aqui) e da pretensa intelectualidade da classe média paulista. À esteira do que disse Freyre, a mestiçagem vinha sendo praticada até dias recentes e estava inscrita na maioria dos rostos brasileiros quando de sua desconstrução através do chamado sistema de cotas voltada à educação. Darcy Ribeiro (1995, Cia das Letras) num espetacular livro, síntese de anos de estudo, chegou à conclusão de que o Brasil é um engenho de moer gente para fazer brasileiros, de fazer mestiços. Ideia de gênio, como bem era Darcy,  tão genial que as universidades brasileiras nunca conseguiram absorvê-lo (leia aqui). Preferiram Roberto da Matta e uma variedade de antropólogos menores que nunca lograram dizer nada sobre cultura brasileira que possa ser levado à serio. Entender o Brasil mestiço através de autores como Darcy, tornou-se tão somente foco de uma antropologia canhestra recolhida à insignificância de meros estudos de itinerários, chamados de etnografia do saber, como são o livro organizado por Miceli e os estudos feitos por Peirano (tese de doutorado, 1980). Tais estudos demonstram que , a mestiçagem no Brasil como projeto de nação deu lugar a leituras baseadas na etnicidade e nos conflitos permanente entre brancos, negros e  índios, como pode ser lido Octavio Ianni, por exemplo. Diz ele que: “Descendente do africano escravizado, marcado pela diáspora e pelo holocausto, compondo a mais numerosa coletividade, dentre as várias etnias; mesmo porque os brancos distribuem-se em distintas nacionalidades, fidelidades e identidades; sem esquecer que muitos compõem amplamente os trabalhadores assalariados, as classes e setores subalternos, mesclando-se com os negros e outras etnias em locais de trabalho, produção e reprodução. Sim, grande parte da questão racial no Brasil diz respeito ao negro, como etnia e categoria social, como a mais numerosa “raça”, no sentido de categoria criada socialmente, na trama das relações sociais desiguais, no jogo das forças sociais, como as quais se reiteram e desenvolvem hierarquias, desigualdades e alienações” (Ianni, 2004, p. 143). Prova de que foram encontros acidentais que renderam um ser híbrido  que ora pode ser negro, ora indígena.

Depois de tantos Lévi-Strauss, Bourdieu, Geertz deu-se a conclusão que o termo afro-descendente era mais correto ao Brasil em vez das bolorentas palavras “negro” ou “preto”. A mestiçagem, então, passou a ser considerada simples resíduos étnicos de negros africanos (leia aqui). Essas ideias fizeram  sucesso acadêmico e deram reconhecimentos aos autores, na mesma proporção da publicação de muitos livros inúteis.

Forçar o mestiço a ser negro ou indígena tornou-se regra para sua anulação total como sujeito. Pude perceber isso quando fui chamado recentemente  por uma associação de religiões afro-brasileiras do Estado de Roraima para assessorar um projeto cultural a ser apresentado à FUNARTE pelo sistema de cotas destinadas a negros. Todos os chefes de terreiro e simpatizantes foram unânimes em se dizer negro, embora mestiços fossem. Dei-me conta de que os mestiços estão em vias de extinção pela sua anulação como raça e como sujeito parte da sociedade brasileira. .

Mas tudo o que foi dito, não supõe querer negar, como diz Kabengele Munanga  “nosso racismo”, que embora apareça sorrateiro revela-se muito hostil. Porém não dá para fazer vistas grossas sobre o fato de ele não enxergar que séculos de mestiçagem entre brancos, índios e negros aproximaram as raças mais que distanciaram. as marcas dessa aproximação foram deixadas na forma do sincretismo cultural presente em todo o Brasil, outrora estudado amplamente por uma variedade antropólogos brasileiros e estrangeiros. Na umbanda, por exemplo, isso é tão patente que em estudos realizados por mim em Portugal, junto a terreiros de umbanda tocados por portugueses no Azeitão encontrei um pai-de-santo que nunca saíra de Portugal, mas  que falava quando em transe com sotaques regionais brasileiros, maneira de muitos mestiços falarem. Nas entidades que o possuía: preto-velho, baiano ou baiana ou mesmo caboclos, revelavam-se não o preto, branco ou indígena, mas entidades que retratavam a mestiçagem; ou seja, o Brasil estava no imaginário desse português na forma entidades religiosas mestiças originárias do Brasil.

Assim é o Brasil. Se existe racismo aqui, por causa da mestiçagem ele não é ostensível por aproximar as raças mais do que as distancia. Porém, o sistema de cotas quer transforma-las em etnias inimigas e vorazes (veja aqui uma jovem negra destilando ódio racista), (veja também o resultado da expulsão dos mestiços da Raposa /Serra do Sol, em Roraima. Os mestiços foram chamados de fazendeiros e expulsos, mesmo provando viver na área por mais de 100 anos  – não confundir com os chamados arrozeiros, produtores de arroz em larga escala, a maioria  oriunda do Rio Grande do Sul).

O sistema de cotas, contrário do pensa Kabengele Munanga, não irá jamais corrigir as desigualdades sociais no Brasil, irá sim fomentar a desigualdade étnica pela destruição dos mestiços, que foram paradigmas de uma raça brasileira por vários séculos.  Por que insistir, então, com o sistema de cotas? Segundo pesquisas feitas pelo renomado economista americano Thomas Sowell, da Universidade Stanford, que conduziu um sério estudos sobre sistemas de cotas em vários países, revelaram-se que não há evidências de sua eficácia em nenhuma parte do mundo (fonte aqui).

Portanto, quando se pensa em ampliar o sistema de cotas para o serviço públicorepresentação parlamentar e até mesmo para as mulheres feias nos concursos de misses (que poderá acontecer, vai ver) está se impingindo um mal enorme ao Brasil, um dano que as futuras gerações demorarão em reparar, pois irá gerar a setorização étnica do país pela eliminação da mestiçagem. Quando isso acontecer será tarde para cabeças pensantes como a de Kabengele Munanga avaliar o Brasil de verdade, aquele formado por maioria mestiça, simplesmente porque este país como o conhecemos, não mais existirá.

Carlos Borges

(Professor e antropólogo)

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O PT e a elevação no número de homicídios: tudo a ver

armasRecente publicação de dados estatísticos sobre violência no Brasil indica o crescimento de 7,6% no número de homicídios em relação a 2011, com um total de  50.108 casos registrados em 2012, sendo 47.136 homicídios dolosos, 1.810 assaltos seguidos de morte e 1.162 por lesão corporal. Isso representa uma taxa de  25,8 homicídios por 100 mil habitantes.  Para se ter uma ideia do impacto desses dados, se usarmos os da ONODC (United Nations Office on Drugs and Crime)  de 2010, que indicavam  40.974  homicídios no Brasil, países considerados violentos, como a África do Sul e México, registraram para igual período, 15.940 e 27.199, respectivamente.  Países em guerra civil, como a Colômbia, do mesmo modo teve, no mesmo ano, índice menor do que o Brasil, 14.746 homicídios registrados, segundo a mesma fonte. Soma-se ao número divulgado, a elevação do quantitativo de estupros, que superou os de homicídios dolosos (com intenção de matar) em 2012, com 50.617 ocorrências (26,1), com destaque para Roraima, que apresentou 52,2 estupros por 100.000 habitantes, a maior taxa do país.  Considerando que o Estado de Roraima tem em torno de 500.000 habitantes, chega-se a uma média de 261 estupros por ano, situação de anomia  preocupante.

Parênteses. Curiosas são algumas leituras feita desse quadro. Segundo o Mapa da Violência 2012, organizado por Julio Jacobo Waiselfisz (leia aqui), 30.912 desses homicídios foram praticados por pardos, para 4.071 cometidos por negros. Estranhamente, o autor da pesquisa soma pardos e negros e chega ao montante de 34.983 homicídios para negros. O porquê da inclusão de pardos como raça negra, justifica-se, penso na minha ingenuidade,  como estratagema para legitimar a proposta do sistema de cotas. Só mesmo incluindo pardos (os quase negros e os quase brancos) como negros para justificar a ideia de que o Brasil é um país de maioria negra, e não de mestiços.

Voltando ao assunto, concomitante ao quadro desenhado acima, o consumo de drogas ilícitas no Brasil também cresceu 172% entre os anos 2000 e 2007 (fonte aqui), totalizando 870 mil usuários só de cocaína  (Relatório Mundial sobre Drogas de 2008). Isso fez do Brasil, em 2008, o segundo maior mercado de consumo de drogas das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos com seus seis milhões de consumidores da droga (fonte aqui ).

Bem, mas por que  a notória correlação entre homicídios, estupro e consumo de drogas? A resposta pode ser obtida entendo a imposição da hegemonia  esquerdista no quadro político do Brasil, cuja história principiou a partir da década de 90, quando o PT ganhou algumas prefeituras pelo Brasil. A partir delas o PT começa a perceber que a permanência no poder depende de alianças e de apoio financeiro, prática que o PSDB sabia de cor, dado ser resultado de uma fissura do PMDB, partido notoriamente fisiologista, desde a origem (Ulisses Guimarães que o diga). A experiência anterior do PT era tão somente sindical, ambiente em que a hegemonia se impõe pela força e eliminação de recalcitrantes, violência mesmo. Nas prefeituras, os petistas logo deram conta que essa prática não poderia ser aplicada no jogo político partidário. Descobriram que as alianças fisiológicas eram necessárias assim como também era preciso corromper o que for possível e se aproximar daqueles setores podres da economia brasileira, certos empreiteiros (coleta de lixo e bingueiros) e banqueiros, como bem noticiou o The Economist, em 5 de maio de 2012 (leia aqui).  Porto Alegre, o ABC e Campinas foram laboratórios para essas experiências que posteriormente seriam a marca da gestão política do PT onde estivesse no poder. Refratários a essa agenda foram eliminados no caminho, como  Celso Daniel e Toninho. O resultado disso foram os inúmeros escândalos que envolveram o PT até culminar no famigerado MENSALÃO.

A terceira fase, por sua vez,  envolve uma complexa engenharia social de finalidade desconstrucionista, praticada antes em países essencialmente capitalista ( assista video aqui), que o Brasil copiaria a partir de sua intelligentsia acadêmica, formada a partir de bolsas de fundações nos EUA, como Fundação Ford,  Fulbright, Rockefeller e congêneres. Vinda dexperiências nas administrações de prefeituras e governos estaduais, o foco fundamental nessa fase é a educação. Sabe-se que o PT é constituído por um exército de professores universitários, a intelligentsia acadêmica que me referi, distribuídos nas mais diversas áreas do conhecimento, com  prevalência nas ciências humanas, fundamentalmente as sociais. Atentem-se ao número de doutores e mestres  nessas áreas. Qualquer um torna-se doutor.  A maioria doutora-se por ser  simpatizante do desconstrucionismo  (veja definição e como começou aqui) e do socioconstrutivismo (veja suas ambições aqui). Esses intelectuais orgânicos aparelharam a educação nos mais diversos níveis, impondo PCNs e ENEM a todo país. Nada pode funcionar, em termos educacionais, desconsiderando essas duas agendas, tanto na educação pública como privada. O resultado são jovens sem a mínima habilidade cognitiva, porém úteis como boi de manada (leia aqui), ou idiotas úteis, como dizia Lênin. À esteira desse processo, do mesmo modo, os cursos universitários foram formatados para produzir uma legião de vassalos e simpatizantes da agenda petista. Pragmáticos e relativistas, eles ocupam postos nos ministérios públicos, defensorias e outros órgãos públicos. São os gendarmes dessa agenda.

A quarta fase iniciou-se com a chegada do PT à presidência da república, e está relacionada ao aparelhamento do judiciário visando fragiliza-lo em sua autonomia como poder, como já noticiou Reinaldo Azevedo (leia aqui). Ministros indicados por esse partido ou simpáticos à sua causa fizeram do judiciário o órgão máximo de legitimação de toda agenda petista, seja em relação ao uso da terra, da política indígena, do sistema cotas, da proibição do porte de armas, do meio-ambiente, tudo foi perversamente transformado em teatralidade jurídica, transmitido pela TV e coberta pela grande mídia. O objetivo é  dar ao partido um verniz de legitimidade, mesmo diante da evidente insegurança jurídica gerada pelas sentenças proferidas.

A última fase – a mais perversa – é a lenidade com crime e com a violência, que se revelam nas altas taxas de homicídios, de consumo de drogas e do tráfico. Para entender como o PT lucra com tudo isso, primeiro é preciso explicar os motivos da expansão do consumo de drogas no Brasil. Depois  é preciso ver como a elevada taxa de violência é importante para impor a agenda petista à sociedade brasileira. Começo por uma pergunta: por onde entra a droga consumida no Brasil? Não precisa pensar muito: pela fronteira com o Paraguai. Mas sabe-se que o Paraguai é lugar para outro conhecido tipo de ilícito, não como produtor de drogas, portanto esse país é só mais elo de uma complexa conexão. Para entendê-la cito uma noticia da Agência Estado de 03/07/05:

O juiz federal Odilon de Oliveira, de Ponta Porã, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, obteve evidências da atuação de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no treinamento de bandidos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) para sequestros. Segundo as apurações de Oliveira, quadrilhas de narcotraficantes do Brasil são os principais clientes da América do Sul na compra da cocaína produzida pela facção colombiana.

“Eles já estão estabelecidos no Paraguai e agora miram o Brasil, onde o potencial para esse crime é maior”, disse. “Eles treinam brasileiros lá para agir aqui.” A cocaína representa outros 45% da receita das Farcs, que produzem 39% da droga colombiana. Segundo Oliveira, os traficantes brasileiros passaram a negociar com a guerrilha a compra da droga, eliminando os intermediários colombianos. A cocaína é levada para o Paraguai antes de chegar ao Brasil. O pagamento é feito em dólares ou armas de guerra. Um exemplo é o bando de 12 integrantes liderado por Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, e Carlos Roberto da Silva, o Charles, que usava sete aviões para levar a droga da Colômbia para o entreposto paraguaio. Ela comprava das Farcs e, em menor escala, de produtores da Bolívia e do Peru. A droga entra no Brasil pela fronteira com Mato Grosso do Sul, principalmente pelas regiões de Ponta Porã e Corumbá, e é levada para São Paulo e Paraná, para distribuição no País e no exterior. De acordo com Oliveira, o tráfico por aviões migrou para o Sul por causa da Lei do Abate, que permite à Força Aérea Brasileira derrubar aviões não identificados.

O referido juiz anda protegido 24 horas por dia. Está sentenciado à morte por quadrilheiros ligados ao narcotráfico. Mas o que isso tem a ver com o PT? Sabe-se que matéria prima da cocaína é plantada livremente na Bolívia de Evo Morales (leia aqui), com quem o PT tem simpatias socialistas, a ponto de Lula mostrar-lhe candidez patética no caso da Petrobrás, do gás e do tratamento dispensado aos brasileiros na fronteira deste país.  Outro nó dessa trama são as Farcs, comumente vistas ao lado de petistas no Foro de São Paulo e uma de suas fundadoras (leia aqui), sendo inclusive . Depois de Uribe destroçar a estrutura dos narcotraficantes na Colômbia, imediatamente as Farcs passaram o ocupar o vazio que ficou, fazendo da produção e distribuição da cocaína, uma de suas principais fonte de renda; a outra é o sequestro e o roubo de gado (leia aqui). Outrora grupo guerrilheiro pró-cubano, com a falência da União Soviética e da economia cubana, as Farcs tornaram-se narcoterroristas. Sem abandonar  a utopia cósmica coletivista, as Farcs transformaram em vantagem o que parecia ser desvantagem. A droga, além de ter-se tornado  uma lucrativa fonte de renda, consegue ferir o capitalismo nos EUA a partir de dentro, viciando e envenenando sua juventude, corrompendo o futuro desse país que tanto odeiam. A imprensa tem divulgado a vinculação deste famigerado grupo narcoguerrilheiro com o MST (leia aqui), este o braço armado do PT no campo.

Com isso, tudo se encaixa e pode assim ser resumido:

1) A elevação o número de homicídios, supostamente praticado por uma maioria negra (leia o início do post), invariavelmente pobre, está servindo para justificar o sistema de cotas e assim  desmestiçar o Brasil (veja aqui), etnizando-o,  como também  para legitimar bolsas assistencialistas permanentes de todo tipo. Para isso, as Farcs  dão sua contribuição inundando o Brasil de drogas, ao mesmo tempo se financiando para levar à frente sua utopia cósmica. Nesse quesito, pela semelhança ideológicas são próximos companheiros e ajudam mutuamente (veja aqui).

2) A imposição do desconstrucionismo na educação da juventude fez dela quantitativo  para anuir de boa mente  a destruição da religião, da identidade de gênero, da família judaico-cristã e dos valores pátrios, servindo para elevar o consumo de drogas, de estupros e de homicídios, como indicado anteriormente no item um.

3) A insegurança jurídica pelo aparelhamento do judiciário elevou a corrupção e impunidade em todos os setores da sociedade brasileira. A corrupção se soma à crise moral gerada pelos itens 1 e 2, tornando-se pandêmica e apodrecendo todos os poderes do espectro político brasileiro, do vereador ao senador, do juiz de província ao da Alta Corte, do funcionário público aos secretários; em todos os setores da vida pública a corrupção está presente, e a ela está associada a impunidade.

Como o partido pensa a longo, claro que esse quadro tende a se agravar e no caminho pode surgir uma manifestação ou outra lá, que serão facilmente absorvidas pela maleabilidade da agenda petista. O exemplo disso foram as recentes manifestações, que sacudiram para baixo a popularidade da Dilma. Mas percebam que logo em seguida ela se reuniu com os manifestantes para propor cinco medidas? (veja aqui). Todas elas importantes para reforçar a agenda petista, principalmente no diz respeito à gratuidade no transporte e reforma política (a reforma política prevê o financiamento público de campanhas. Qual partido mais em condições de tirar vantagens disso?). Como disse Olavo de Carvalho, o “PT é uma máquina de corrupção montada desde o início” (leia aqui), e a única forma de para-la será por sua completa destruição.

Carlos Borges

(Antropólogo e Professor)


Sobre black bloc e beagles: uma agenda petista

Imagem O mês de outubro esteve cheio de assuntos políticos, e sobre alguns deles quero comentar neste post. Embora sejam fatos diferentes entre si, estão muito bem articulados: falo  do caso dos beagles, a popularidade Dilma e reaparecimento de Lula

Começo com os casos de quebra-quebra e os chamados Black Blocs. Esse grupo de manifestante apareceu de forma sistemática a partir das manifestações do passe-livre em São Paulo, como uma espécie de tropa de ataque reativo contra a ação da polícia paulista, para depois ser imitado em manifestações pelo Brasil. Composto por jovens mascarados e violentos, o grupo é contra a ordem vigente, odeia o capitalismo e promove dano material  naquilo que supostamente o simboliza ou o expressa: bancos, revendas de carros, grandes lojas e instituições públicas. Suas ações são marcadas por fúria e violência; nas manifestações assim como chega desaparece, sem que seus membros possam ser identificados. São hábeis em se proteger para preparar novos confrontos.

Embora recente no Brasil, inspirado nas manifestações de 68, o nome do grupo apareceu na Alemanha por volta do início dos anos 80, e desde então seus membros estiveram presentes em manifestação pelo mundo. Ideologicamente confuso, o Black Bloc equivale às utopias anarquistas do séc. XIX, com elementos do ludismo e do bakuninista, porém misturadas à desordem mental da maioria da juventude de hoje, vítima contumaz de décadas de sócioconstrutivismo.

O que está claro é que suas as ações são capitaneadas por outros grupos, também radicais, ideologicamente mais bem constituídos, daí a relação que falei no início. Os trotskistas são os mais próximos deles, por ainda sonharem com a revolução permanente. Abrigados em vários partidos, como PSOL, PSTU e PCO, estes são profissionais em manifestação. Outros relacionados são extremistas do PT, geralmente ligados a movimentos sociais, como o Movimento Passe-Livre. Mas, o mais importante da relação é o PT enquanto partido, que vê nesse grupo um instrumento de seu objetivo absoluto: a permanência no poder para implantar sua revolução aos poucos. Por isso, como um Grande Irmão , zela por todos eles. Tanto é verdade que hoje (01\11) está no Uol Notícias, a seguinte informação: “Movidos a pesquisas e intuição, Dilma Rousseff e os operadores de sua pré-campanha enxergaram uma oportunidade eleitoral na crescente aversão dos brasileiros à violência de rosto coberto que tomou conta das manifestações de rua, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro”. Como se pode ver, todos têm aproveitado o ímpeto destrutivo dos Black Blocs a seu favor

Resumindo, o jovem Black Bloc é invariavelmente frustrado, em conflito com o mundo e consigo mesmo, sem identidade e desprovidos de um mínimo de conhecimento escolar. Por não poder expressar ideias coerentes tem o mundo como inimigo, quer destruí-lo com temor de se destruir com um tiro na cabeça. Incapacitado para qualquer ontologia, ele existe como um ninguém. Quando usa máscaras é pensando poder ser alguém.

São tão manipulados que, depois do entusiasmo do movimento Passe-livre espalhar-se pelo Brasil, tudo voltou ao normal: Haddad tirou os centavos do valor da passagem de ônibus, mas aumentou o IPTU sem qualquer manifestação Black Bloc. Tudo normal. No julgamento dos embargos infringentes o judiciário aliviou a pena aos mensaleiros, sem qualquer manifestação Black Bloc. Tudo normal. Com a popularidade subindo, Dilma aproveitou o bom momento para leiloar o campo de Libra diante de manifestações amenas e controláveis de meia dúzia de petroleiros. Até o Lula apareceu recebendo comendas e sendo acariciado em programas de TV, jurando que o bolsa-família é um presente dos céus aos miseráveis, responsável por elevar o Brasil à condição de país que mais distribui renda no mundo. Hilário, mas ele pensa assim e tudo sem um único Block Bloc.

Sem horizonte político definido, os Black Blocs são idiotas uteis que servem aos propósitos da esquerda petista justamente por atacarem instituições que o PT, em seu projeto de poder, quer destruir. Curioso perceber a simetria entre o ódio dos Black Blocs e o ódio que o PT manifesta às instituições. Odeiam as mesmas coisas: o capitalismo, o livre mercado, a liberdade, a propriedade privada, a religião, a família e, principalmente, a educação cognitiva (os dois fugiram da escola, como é sabido). É evidente que  PT alimenta e se alimenta das ações dos Black Blocs (leia a notícia citada acima). No fim todos levam, graças a essa turba ímpia, seu quinhão político, até o Alckmin elva a parte que lhe cabe (leia aqui).

Sobre os beagles e a relação com tudo o que foi dito? Bom, não vale a pena gastar muitas letras com isso, pois  quando se põe a utopia privada á frente dos interesses de uma humanidade inteira, fica difícil argumentar. Ficou evidente que os salvadores dos beagles, tal como os black Blocs, também são cheios de ódio. Odeiam as instituições científicas e suas pesquisas não se importando se elas salvam vidas. Odeiam o consumo de carne, mas esquecem de que a carne de gado que consumimos é de um animal que não compete com o ser homem na alimentação, simplesmente porque comem mato. Sobra, portanto, mais soja, mais milho, que podem alimentar muita gente. Odeiam a inteligência por não entenderem que sem pesquisa em animais não haverá remédios contra doenças mortíferas. Mas estes, como Luisa Mell, são também Black Blocs, só que mais chics, mais glamourosos. Constituem o que Reinaldo Azevedo chama de esquerda caviar. Em vez de esconder o rosto querem mostra-lo, para ganhar minutos de fama. A mídia aparelhada pelo PT adora. Aliás falarei sobre isso em outro post.

Carlos Borges

(Antropólogo e professor)