Índios miseráveis em Boa Vista

ImagemLeio na FBV de 19/10/13, artigo que traz a seguinte chamada: “Índios migram para centros urbanos”. Esse é hoje o motivo deste post. A primeira vez que alertei sobre o possibilidade deste evento ocorrer em Roraima foi em 1996, quando da ocasião do Decreto 1775. Naquela época sugeri que houvesse um entendimento que contemplasse as pretensões da FUNAI para Raposa /Serra do Sol juntamente com o reconhecimento dos direitos de muitos não índios, secularmente habitantes da mesma região, permitindo o convívio pacífico entre as duas partes da contenda. Foi como jogar lenha numa fogueira. Chamaram-me de antropólogo de fazendeiros, vendido e de impropérios que não cabem ser citados aqui. Fiquei um maldito, simplesmente por propor soluções dialógicas.

Depois disso, ao gosto e a serviço de potências estrangeiras, os chamados fazendeiros foram encurralados por Ongs que agitaram e inflamaram a região da Raposa de tal maneira, que gerou a imagem de uma guerra civil que nunca houve. Lula, uma vez presidente, deu o golpe final: infligiu à nação brasileira o maior atentado contra sua ordem jurídica, homologando a Raposa/Serra do Sol em área única, criando um dos maiores latifúndios do planeta. Foi saudado como herói pelos índios e simpatizantes, e como humanista pelos líderes de potências estrangeiras. O calor da festa exalava a certeza de um futuro grandioso para os indígenas da Raposa / Serra do Sol. Mas, acabada a festa veio a dilacerante realidade: as Ongs se foram depois de conquistado seus objetivos: a demarcação do latifúndio; o CIR tornou-se uma organização pálida e sem propósitos políticos, tornando-se somente uma instância burocrática indígena; os fazendeiros foram jogados à condição de miseráveis, condenados à própria sorte ou sustentados por familiares daqui de Boa Vista; uma dezena de arrozeiros (produtores em grande escala), mesmo aos gritos sucumbiu-se à mão impiedosa da Força Nacional. Aos indígenas coube a fardo mais pesado desse processo: para muitos, a miserabilidade.

Como se chegou a isso? Explico. Como forma de gerar conflito e demonstrar para o mundo que os indígenas tinham suas terras invadidas por arrivistas, Ongs, como o CIMI, começaram a plantar aldeias em propriedades dos chamados fazendeiros, que para incendiar a contenda foram elevados à condição de posseiros e de implacáveis criminosos com jagunços a seu serviço. Aldeias foram aparecendo da noite para o dia, justamente naqueles locais que jamais viram uma aldeia, pelo simples de serem lugares hostis à habitação, alagada no inverno e ressequida no verão. Os indígenas sobreviviam porque eram sustentados pelas Ongs através de cestas básicas e auxílios necessários para que permanecessem no lugar. Isso fez existir aldeias em toda a área reclamada para demarcação. Quando começou a circular uma proposta do governo estadual, Flamarion Portela, para que uma pequena parte fosse excluída do montante reivindicado pela FUNAI, na semana seguinte novas aldeias rapidamente despontaram, numa demonstração evidente dos propósitos dessa iniciativa: ocupar sempre e mais. Pois bem, os indígenas que perambulam mendigando por Boa Vista são justamente aqueles que agora não tiveram como sobreviver nos locais em que fincaram aldeias. São, portanto, vítimas contumazes da irracionalidade daquele processo, que foi um atentado contra a civilização brasileira, perpetrada com a concupiscência de antropólogos que jamais residiram neste Estado por mais de duas semanas; com a anuidade do MPF, cada vez mais aparelhado com quadros simpáticos às utopias de esquerda e suas paixões; e com  a anuidade de um judiciário que faz papel de inocente útil, que em vez de verter lágrimas diante do discurso rústico de uma advogada indígena, devia atentar-se ao jogo planejado e à  astúcia de estrategistas americanos e europeus, treinados na técnica de criar conflitos e toda sorte de confusão, para envolver a opinião pública em posições contraditórias, desarmando-a do caminho do bem para a adesão aos estratagemas e sofismas que essas ações mobilizam.

O golpe mortal contra a soberania nacional foi desferido sem que se percebesse ser ele parte de uma ordem maior, que visa monopolizar todos os poderes intermediários com ações menores, como foi o conflito suscitada em torno da Raposa / Serra do Sol. Planejados e subsidiados por fundações e governos estrangeiros, mimados pela mídia, os movimentos sociais em torno da Raposa / Serra do Sol revelaram-se parte de uma estratégia global em que fazendeiros e índios foram tão somente peças de um jogo que não é mais jogado.  Os indígenas, que vagueiam miseráveis e silentes pelas ruas de Boa Vista, não sabem que foram vítimas diretas de interesses imperialistas. Não se dão conta que foram manipulados por  potências que  dão ordem ao mundo e deles tiraram vantagens para destruir esta nação brasileira que, não obstante, é a mesma que lhes garante direitos constitucionais.

Carlos Borges

(Antropólogo e professor)

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