Sobre a tristeza de Lya Luft

ImagemNa revista Veja do dia 09 de outubro, a colunista Lya Luft gastou letras para expressar sua tristeza com a qualidade de nossos alunos, principalmente os universitários. Diz ela: “alunos comem, jogam no celular, conversam, riem na sala de aula – na presença do professor que tenta exercer sua dura profissão –  como se estivesse num bar. Tente o professor impor sua autoridade, e possivelmente ele, não o aluno malcriado será chamado pela direção e admoestado. Caso tenha sido mais severo, quem sabe será processado pelos pais”.

Lya se mostra perplexa e se vê sem resposta, pois nunca se vendeu tantos livros no Brasil. Diz ela, “as editoras vendem, bienais e feiras ficam lotadas”. Perfeitíssimo!!! Mas, o que Lya esquece é a qualidade de tais livros vendidos, geralmente Paulo Coelho e equivalentes, sem contar os de auto-ajuda. Com a qualidade de leituras assim, o emburrecimento é geral e as consequências, obviamente catastróficas. Porém, há um agravante nisso, que Lya não enxergou: a má qualidade não está no aluno somente, mas também no professor, que na sua formação foi submetido anos a fio, a uma rigorosa grade curricular cheia de disciplinas desconstrutivistas e propostas pedagógicas envenenadas de socioconstrutivismo. O resultado não poderia ser outro: professores formados sem a mínima capacidade cognitiva, que não leu um livro inteiro durante todo o curso, a não ser fragmentos destes, nas famigeradas cópias.

Quando professor e aluno estão em sala de aula, a síntese gerada por esse encontro só poderia ser desastrosa. De um lado tem o professor, este esvaziado de sua ontologia magistral e  incapaz de transmitir qualquer conhecimento, simplesmente por não conhecer o suficiente para assim fazê-lo. Escravizado aos livros didáticos (os do MEC são os piores) e apostilas cheios de conteúdos exaltando conflitos em todos os níveis da vida humana, dizendo que a Idade Média é a idade das trevas, o capitalista e o burguês da Revolução Industrial demônios que tiranizam inocentes operários e outras bobagens sobre ecologia, aquecimento global e sexualidade. De outro, o aluno,  transformado em sujeito precoce diante objetos que nada entende, e refém de um facilitador (atualmente é essa a função do professor em sala de aula), que desafiado em sua inteligência e incapaz de dar qualquer resposta à sua incapacidade cognitiva, reage invariavelmente com violência e fúria, contra o professor e contra a escola.

Vítimas de uma mesma tragédia, os dois acusam-se mutuamente desviando o foco do principal e mentor desse processo, que é a esquerda brasileira. Esta preparou seu plano de poder silenciosamente, somando vitórias pequenas, conquistando sindicados, vagas universitárias, posições na imprensa, na midia e na cultura, até lograr  chegar ao mando político máximo de todo o país. Uma vez no poder passou a desenhar uma estratégia para não mais deixá-lo. Para isso, teve de destruir tudo que pudesse obstruir seu caminho, corrompendo a justiça através da compra de juízes, sucateando as forças armadas, aliando-se a bandidos e traficantes, fazendo alianças com declarados corruptos, criando um estado constante de guerra no campo e na cidade e, principalmente, destruindo por completo a educação em nome de “formar alunos cidadãos e ciente de seus direitos” (veja os PCNs), mas sem a mínima habilidade cognitiva.

Não é difícil, de imediato saber quem está à frente disso: o PT, claro. Esse partido tem uma história política que não se equivale a nenhuma outra no Brasil. Não nasceu como nasceu o partido REDE SUSTENTABILIDADE ou PROS , que surgiram por mera captura de assinaturas. O PT, não. Gestou lentamente, somando intelectuais comunistas nas universidades, refratários ao stalinismo e vorazes militantes desconstrucionistas, especialistas em Escola de Frankfurt, Poulantzas, Gramsci etc.; também atraiu padres simpáticos a esses leituras que foram mixadas à mensagem de Jesus (o motivo por assim agirem comento em outro post); a sindicatos dirigidos por trotskistas, a estudantes bitolados, maconheiros e bêbados (em CAs e DCEs) que nunca estudaram e, principalmente, à simpatia da imprensa, cujos jornalistas, depois de  gramar anos de exílio, no retorno viu nos ideais desse embrião de partido a explicação para suas frustrações políticas. Claro, sem contar  os artistas e músicos. Dentro desse quadro, quando criado o PT já estava entranhado nos principais setores da sociedade brasileira. Chegar ao poder foi só uma questão de tempo.

Então, o emburrecimento de nossos alunos não tem prazo de validade e infelizmente as consequências tem sido apocalipticas na nossa cultura, na literatura, na música e na ciência. Isso explica a péssima qualidade de nossas universidades, a ponto de nenhuma delas destacar-se entre as melhores do mundo.

Carlos Borges

(Antropólogo e professor)

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